Não esqueçam da classe média

Existe a natural tendência do brasileiro em exagerar tudo, porque tudo nos meios de massa é exagerado. Nossos programas de TV falam sobre gente muito rica (novela) ou muito pobre (Datena). Nossos jornais são voltados para pessoas muito ricas (Folha de S. Paulo) ou muito pobres (Agora) e por aí vai.

Mas o que tenho percebido ultimamente é uma boa quantidade de projetos que favorecem os pobres, como o ProUni. Também existe a orquestra do Heliópolis, projeto social da OSESP para o público desta favela; O Fotógrafo João Roberto Ripper ministra (ou ministrava, quando ouvi falar) um curso completo e bem detalhado de fotografia para os habitantes de uma favela do Rio de Janeiro. Gratuito, obviamente.

Ou seja, o pobre pode entrar em uma boa faculdade pelo ProUni e a elite tem dinheiro para pagar. A classe média tem que se contentar com as faculdades médias. E o mesmo acontece em todos os projetos em que a pessoa tem que dizer quantos salários mínimos recebe.

Não quero aqui comparar a qualidade de vida das diferentes classes sociais, nem dizer que o pobre vive melhor que o “Classe C” e muito menos que a classe média tem uma vida sofrida de tomar sol na telha o dia todo. Só citei alguns casos para mostrar que a classe média tem sido esquecida em alguns âmbitos da sociedade.

Outras Culturas

Durante a aula de hoje na SP Escola de Teatro, fomos à rua fazer um trabalho de campo relacionado aos bolivianos que vivem no Brás.

Saímos do padrão superficial de observar os bolivianos da avenida Rangel Pestana e vias adjacentes. Fomos até uma região do bairro totalmente habitada por imigrantes bolivianos. E a experiência foi riquíssima.

As fachadas das lojas são todas em espanhol. Há grande divulgação de venda de cartões telefônicos para ligações internacionais. São vendidas comidas e bebidas típicas. Eu me senti como um estrangeiro em uma rua da Bolívia.

Fiquei surpreso com várias coisas que vi por lá. Notamos uma certa tensão dos “nativos” quado chegamos em grupo ao local. Eles permanecem de cabeça baixa, porém observando às situações com muita atenção. Aqueles que possuem um comércio, não fazem alarde para venderem seus produtos, apenas os expõem. Silêncio. Melancolia. Mistério. A ilegalidade da maioria dessas pessoas a faz ser o mais discreta possível.

Por outro lado, os jovens são mais abertos. Não sentem preocupação em andarem com os amigos, sorridentes, com o cabelo arrumado e bem vestidos. Estes não possuem o mesmo medo dos pais, pois já nasceram aqui ou chegaram ainda pequenos.

Em uma loja, encontramos um grande mural divulgando vagas para costureiras, Todas escritas em Espanhol. O que mais choca é o pré-requisito de algumas delas: “Solteira e sem filhos”, talvez para não ter outras preocupações além da carga horário excessiva?

Eles são unidos em comunidade, em alguns locais há comércios vendendo a mesma coisa com o mesmo preço, sem nenhum atrativo a mais que o faça comprar com aquela pessoa, como no caso dos vários salões de cabeleireiros (as “peluquerias”) com o mesmo padrão e com o mesmo preço: R$ 5,99.

Nesta visita, aprendi a olhar os bolivianos do Brás com um olhar além do superficial, conhecendo-os como realmente são e convivem como imigrantes no Brasil. Compareça de dia à rua Coimbra (a adjacentes) e comprove.

Esclarecimentos sobre a organização do Lollapalooza (Por alguém que não precisa vender jornal)

Fui aos dois dias do festival Lollapalooza e preciso mostrar minha opinião sobre o festival frente às notícias que saíram sobre ele pela imprensa “especializada”.

Para isso, cito apenas duas fontes, pois nem pretendo fazer uma análise da cobertura do evento.

Na primeira delas, o título é algo como “Com problemas na voz, Dave Grohl toca com o Foo Fighters em São Paulo”.

Quem acompanha só um pouquinho do Foo Fighters, o que não parece o caso do jornalista, sabe que Dave Grohl está com problemas na voz desde meses atrás, quando cancelou shows na ásia e mexeu no setlist para incluir músicas que exigem menos da voz nos shows seguintes. Menos no caso do Brasil, onde quem acompanhou o show viu que a voz dele foi potente do começo ao fim e, inclusive contando com músicas mais gritadas.

A segunda notícia vem do jornal Destak: “O festival das filas precisa de revisão - Primeira edição do Lollapalooza teve longas filas, som irregular e caos na saída”

Então vamos passar por cada um dos 3 itens citados pelos integrantes da imprensa “especializada”:

  • Longas filas: dentro da notícia, na questão das filas, eles falam que o cara tinha que esperar cerca de 1 hora para pegar a pulseira de maior de idade, comprar a ficha e pegar a cerveja.
    Em primeiro lugar, o cara só tinha que se identificar como maior de idade na primeira compra de cerveja, pois ganhava uma pulseira que o identificava como maior de idade.
    Em segundo lugar, as filas são inevitáveis e o cara tem que ser esperto e comprar as fichas antecipadamente
    E em terceiro lugar, quando fui comprar cerveja não demorei mais de 5 minutos esperando na fila.
    E ainda sobre filas, para entrar no festival não demorei mais de 10 minutos nos dois dias, o que para grandes shows é raridade. Sobre isso a imprensa não fala?
  • Som irregular: Não vi absolutamente nada de irregular. Muito leo contrário, a engenharia de som foi excelente. Eram 5 palcos dentro de um mesmo local, mas se você estava em um não havia nenhuma interferência sonora vinda de outro palco, o que não mudou na potência e na boa altura do som das caixas de nenhum deles.
  • Caos na saída: Fiquei até o final apenas no primeiro dia e realmente a saída foi lenta. Mas como você quer “se livrar” de 70 mil pessoas de uma vez sem que haja caos? Isso é absolutamente natural em eventos com muito público.

Lendo a notícia do Destak, claramente se nota que o redator da matéria não foi ao festival e que sua fonte de informação foi uma meia dúzia de tweets! Dá para acreditar, considerando que o Destak é jornal gratuito com maior tiragem do Brasil?

Será que essa aversão ao evento é tática para “vender” jornal ou temos aí uma tentativa de prejudicar perante o público as Organizações Globo, dona da Geo Eventos (Organizadora do Lollapalooza) e do Multishow (Canal que transmitiu o evento)?

Pensamentos Urbanos

Olha lá o antissocial

Ele está em pé com um monte de lugar vago. Ficou sentado o dia inteiro, o cansaço é só mental. Prefere a liberdade, as pernas abertas e que ninguém fique olhando o que ele está lendo.

Vou escrever coisas bonitas sobre o metrô para matar o tédio depois eu coloco na internet esperando os aplausos virtuais.

Não, vou fazer o contrário. Isso é muito clichê. Falar liricamente sobre o metrô é clichê. Criticar a sociedade é clichê. Tudo é clichê. Agora ele quer criticar os críticos, os intelectuais que surgiram na internet, com suas regras cagadas que eu tenho que seguir.

Ele quer ir para o interior. Odeia tédio e gosta do ritmo urbano, mas quer estar cercado por um ambiente tranquilo, longe de gente que nem sabe porque está com pressa.

Ele nem liga mais para as pessoas fúteis como fazia na adolescência. Acha que já tem muita gente lutando por um mundo melhor. Talvez ele esteja lutando inconscientemente.

Era uma vez um velhinho que vivia na roça cuidando de suas galinhas. Passava o dia inteiro mascando mato. Vivia com sua esposa que todo dia respondia ao boa noite do William Bonner e quase enfartou (de verdade) xingando a vilã da novela na sua Mitsubishi de 14 polegadas com garantia até a copa de 98.

O que ele queria mesmo era escrever sobre um casal de velhinhos da roça, mas ele está agora dentro de um ônibus dando espaço para aquela gente do clichê passar.

Cada um querendo defender sua causa e uns confusos que querem defender todas as causas. Desde o gatinho atropelado até o estupro do reality show.

Será que essas pessoas realmente existem?

Eu já estou de saco cheio de gente de saco cheio.

Fecha não motorista, eu vou descer.

Ah, vai pra Mocidade mesmo!

Ah, vai pra Mocidade mesmo!

Todo Mundo?

1.       Cristina tem medo de altura, frequenta shows de música sertaneja. Ficou solteira depois de flagrar o marido na cama com outra e já superou isso. Quando criança, queria ser cantora.

2.       Geraldo é pedreiro, se esforça para não pisar no pé das pessoas no ônibus lotado. Não atrasa suas contas e não suporta preconceito. Sua renda é destinada totalmente ao sustento dos filhos.

3.       Alessandra vai a shows de heavy metal gótico. Boa parte dos objetos no seu quarto são cor-de-rosa. Sabe que, com as amigas, não se comporta como realmente é, mas se convence de que seria pior se não fosse assim.

4.       Claudinho tem muito dinheiro mas usa transporte público pois tem medo de dirigir. Mora sozinho desde que seu pai o expulsou de casa após assumir o namoro com um homem.

5.       Genésia gosta do ar puro do interior. Trabalha na criação de galinhas. Acompanha a novela das nove todos os dias e “conversa” com os personagens.

6.       Roberto é um empresário bem sucedido e educado. Em casa, procura fotos de crianças nuas. Viaja sozinho de moto no fim de semana, para lugares que decide durante o trajeto.

7.       Ana Laura tem 7 anos e virou vegetariana depois de descobrir que comia animais como o do bicho de pelúcia fofinho dela. Não vê graça em programas infantis.

8.       Carlos Alberto vive na rua desde que sua casa pegou fogo. Matou mulher e os dois filhos por não aguentar vê-los sofrendo de fome. Tem esperança de que o governo ainda possa ajudá-lo.

9.       Washington está em coma há 4 anos. Não pôde ver Ronaldo, seu maior ídolo, jogando no Corinthians. Não pôde se despedir do seu pai. Tem um medo reprimido por baratas. Antes do acidente, foi aprovado no ProUni e ia começar a faculdade.

10.   Esther leva sua cadela para tomar banho toda semana no pet shop. Enquanto isso, passa na Oscar Freire e nunca deixa de comprar alguma coisa. Foi vista (mais de uma vez) sambando em churrascos de lajes no subúrbio.

11.   Leandro é professor de filosofia. Anda pra lá e pra cá com seu cachimbo, dentro do qual não tem absolutamente nada. Mora sozinho e passa o tempo livre escrevendo coisas sem nexo no computador.

12.   João Vitor está há 3 meses de nascer. Fica mais doente a cada copo de bebida e maço de cigarro consumidos por sua mãe. No futuro vai lembrar que sentiu os males do mundo antes mesmo de ter nascido.

13.   Maria Lúcia queria viver de arte e se inspirou nas pessoas de sucesso que afirmavam que ninguém os apoiava e hoje estão lá em cima. Fracassou e hoje trabalha na mercearia do pai e da mãe.

14.   José mora com sua esposa e seus 14 filhos. Todo dia vai ao rio pescar a comida da família. Na final da copa do mundo de 1998, foi levado por voluntários a um local com televisão para assistir ao jogo e não entendeu porque aquilo era tão importante.

15.   Aldo mora em um quitinete com sua namorada em alguma cidade do litoral. Passa o dia na praia vendendo miçangas feitas a mão pela namorada. À noite, vai com a namorada se encontrar com os amigos para jogar conversa fora ou fazer um luau na praia.

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Somos tantos… tantos… e tão diferentes…

Não é todo mundo que vive no mesmo mundo que você. Então tome cuidado quando for falar de “todo mundo”.

Converse com todas as pessoas do mundo e terá 7 bilhões de histórias.

Nunca na História do Facebook…

Não vi gente falando bem do Michel Teló

Já vi gente falando mal do Michel Teló

Já vi gente falando bem de BBB

Já vi gente falando mal de BBB

Já vi gente fazendo piadinha com a Luiza

Já vi gente perguntando que porra é essa de Luiza no Canadá

Já vi gente que não aguenta mais a Luiza

Por cima de toda essa gente, vejo “intelectuais” escrevendo seus textos cheios de palavras rebuscadas em seus blogs sobre o porquê de essas “futilidades” estarem na boca do povo e fazendo relação com o ambiente político, social e cultural do nosso país (Como se o mesmo não acontecesse no outros).

Por cima desses, vem uma 3ª camada, a dos “mais intelectuais” que criticam os “intelectuais” do parágrafo anterior, dizendo que Michel Teló representa sim a cultura brasileira, que tem orgulho de gostar de BBB, que defendem que Luiza no Canadá é apenas diversão e que sua futilidade não gera problema nenhum para a humanidade.

O Facebook é onde estão todos os seus amigos, falando os que lhes vem na cabeça. Se você se estressa com o que eles falam, não é hora de rever suas amizades ao invés de reclamar que o “povo” é ignorante?

Eu estou de saco cheio de sempre que aparece uma nova febre na internet, vem um monte de gente “culta”, de mídia de massa ou não, reclamar do povo ou reclamar dos reclamões

Chega! É muita lição de moral junta, é muita cabeça pensando junto, é muita gente julgando cada publicação minha. Deixa as pessoas postarem o que quiserem em paz. Como disse Rica Perrone, não gosta de BBB vai ver Discovery. Gosta de BBB não reclame de quem não gosta.

De lição de moral eu tô cheio. Se entro no meu Facebook não é para ficar mais culto (para isso eu iria numa biblioteca), é para rir das tirinhas de memes, das frases engraçadas, das histórias curiosas dos meus amigos.

Uso o Facebook para me manter em contato com meus amigos, acredito no poder dele como rede social, por isso nunca passou pela minha cabeça fazer como alguns amigos e decretar uma “greve de Facebook”, mas esse monte de opinião junta e a velocidade com que as coisas andam na internet está me deixando maluco…

E aí, vem mais um revoltado no seu Tumblr e cria a “4ª camada”…

Pra Que a Pressa?

Um dos meus mestres João Otávio certa vez nos contou uma história:
Era último dia de aula de uma turma do primeiro módulo do curso de preparação de atores que ele dava aula. A melhor aluna da turma estava chorando muito. Quando ele perguntou o porquê, ela disse que estava parando o curso. Ele perguntou se era motivo de dinheiro, falta de tempo ou alguma outra coisa. Ela disse: “Não, só quero parar para refletir sobre tudo que eu passei aqui nesse semestre.”

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Afinal, pra que terminar o curso mais cedo?

Pra que fazer o caminho mais rápido e menos confortável e seguro só para chegar 10 minutos em casa?

Pra que emendar o ensino médio com a faculdade? E por que emendar a faculdade com a pós-graduação?

Por que não parar tudo o que faz para pensar se é isso mesmo o que você quer?

Daqui a 10 anos vai realmente fazer alguma diferença se você terminou a faculdade com 21 anos e meio ou 22 anos?

Atropelar as pessoas na rua para chegar em casa 10 minutos mais cedo vai fazer você descansar melhor?

Hoje, voltando do trabalho, encontrei uma amiga. Tinha a opção de me despedir dela e pegar o ônibus ou caminhar com ela até sua casa. Valeu muito a pena chegar meia hora mais tarde em casa. Aproveitei melhor o tempo jogando conversa fora do que atrás dessa tela em casa.

Não tenha pressa. Um dia você vai perceber que nem sabe porque está fazendo tudo tão rápido. Não se deixe contagiar pelas pessoas te atropelando na rua, pelos motoristas furiosas no trânsito, pela velocidade com que a cidade anda.

Faça um teste. Saia 10 minutos mais cedo e vá andando mais lentamente no caminho para o trabalho. Faça o caminho de volta olhando a paisagem e não o chão. Experimente refletir o que quer da vida e não fazer as coisas por impulso.

Não acredite nas propagandas de faculdade.